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08/03/2010 às 21:59
  | ATUALIZADA EM: 12/03/2010 às 15:09 | COMENTÁRIOS (2)

Força estranha: exercício de amor e determinação vira lei em favor dos autistas

Amélia Vieira l A TARDE

Iracema Chequer/Agência A TARDE
Angélica Menezes: “Tinha dias em que eu ia dormir logo para que amanhecesse um novo dia”
Angélica Menezes: “Tinha dias em que eu ia dormir logo para que amanhecesse um novo dia”

Aos 54 anos, a jornalista Angélica Menezes começa agora a retomar as rédeas de sua vida e voltar ao mercado de trabalho. A mudança radical por que passou e que deixou sequelas em sua saúde e carreira começou há 23 anos, com o nascimento do seu terceiro filho.

Quando o garoto estava com cerca de um ano e meio veio a separação do marido. “Não tive medo de criar sozinha meus filhos”, adianta, já demonstrando sua personalidade destemida. Para trabalhar, precisou colocar o pequeno Igor e as filhas mais velhas, de 7 e 9  anos, numa creche.

Foi lá que os primeiros sintomas comportamentais do garoto foram notados. Angélica foi alertada pela diretora que ele costumava se morder, puxar o cabelo dos colegas, não demonstrar dor, chorar sem derramar lágrimas e não avançava na verbalização, sempre se referindo a si próprio na terceira pessoa.

A mãe, então, tentou alfabetizá-lo em casa ao tempo em que o colocou numa escola especial. “Era mais um depósito, pois faltava pedagogia. O diagnóstico também não era definido pelos médicos”, conta. Apenas quando o menino estava com 4 anos é que foi esclarecido o seu problema: autismo.

Portador da síndrome num grau bastante elevado, Igor tinha ataques violentos, o que exigia atenção redobrada e integral.

A pouca disponibilidade de tempo fez com que Angélica abandonasse os empregos que tinha. “Passei a fazer frilas nos quais podia trabalhar em casa. Mas o dinheiro era pouco e os custos altos. Nosso padrão de vida começou a cair”, lembra. A sobrevivência da família era garantida pela solidariedade dos parentes.

Agressividade - No prédio onde morava, no bairro do Costa Azul, a discriminação era grande, inclusive em relação às filhas mais velhas. Isso por conta do comportamento arredio e agitado de Igor, fruto da doença. Ele costumava urinar pela janela, respingando em outros apartamentos, acordava muito cedo e gritava muito forte e alto.

Já adolescente, em momentos de maior agressividade era difícil contê-lo. Então, a mãe precisava trancá-lo no quarto.

Algumas vezes chegou a colocar sua vida em risco. Chegou a cortar os pulsos quando quebrou o vidro da janela. “No ônibus, ele berrava e batia nas pessoas. Cheguei a pensar que ia ser linchada”, relata Angélica.

Em uma das situações mais graves, Igor quebrou a grade de proteção da janela do apartamento e jogou embaixo. O objeto caiu sobre um carro zero quilômetro, cujo dono, transtornado, tentou  invadir o imóvel. O caso foi parar na delegacia. O fato acabou motivando a família a se mudar para um local ermo, em Camaçari, onde permanece até hoje. “Quando chegamos não tinha nem luz. Andávamos com candeeiro”, lembra Angélica Menezes.

Preconceito - Apesar das dificuldades, ela não desanimou. “Geralmente é a mulher que se sacrifica, mesmo no caso de famílias mais estruturadas. Tinha dias em que eu ia dormir logo para que amanhecesse um novo dia. Porque não há nada que não se consiga superar no dia seguinte”, teoriza a jornalista, na tentativa de explicar de onde extraía forças.

Ela fez até algumas incursões na árvore genealógica para tentar encontrar a resposta. Sua bisavó era índia e teve um filho (seu avô) com um barão. Já sua avó era filha de uma imigrante italiana e foi uma das primeiras mulheres a fazer faculdade de medicina na Bahia.

Se sua força vem daí não dá para ter certeza. Mas a luta de Angélica ultrapassou os muros de sua casa. Teve a ideia de fazer uma lei que garantisse aos portadores de autismo assistência de saúde e educação integrada custeada pelo poder público. Foi assim que se articulou  para aglutinar outros pais de autistas e angariar o apoio do Poder Legislativo para este fim.

Leia reportagem completa na edição impressa do Jornal A Tarde desta terça-feira, 9, ou, se você é assinante, acesse aqui a versão digital. 

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Mli (09/03/2010 - 10:02)

Parabens por essa séria, que nós lembra que cada dia é Dia das mulheres

Cláudia Queirós (08/03/2010 - 23:10)

Gostei da reportagem, contudo, achei que não houve uma boa conclusão. Gostaria de saber mais detalhes acerca da conquista perante o Legislativo. Tb. acharia interessante que fosse explicado quais mudanças práticas a aprovação da lei, se já se deu, trouxe para a vida da Angélica. E, para concluir, sem dúvida Angélica Menezes é uma GUERREIRA. A você, Angélica, muita luz. Cláudia Queirós.

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