O que poderia pôr de mãos dadas os empresários do setor da indústria em Teixeira de Freitas e do Centro Industrial de Aratu (CIA)? O abandono de anos posto em prática pelos poderes públicos colocou muito distante de uma imagem idealizada de como deveria ser um centro industrial aquilo que realmente se encontra na Bahia. Ao entrar pelo CIA, à vista os crescentes matagais e os evidentes buracos nas vias, prontos para deixar a pé os motoristas que por ali trafegam. Ao deixar o veículo de reportagem para registrar, na última quinta-feira, a passagem de veículos que desviavam dos buracos em região próxima à sede da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic), o encontro com o que parecia ser uma carcaça de bode. O pitoresco também se viu em Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia, onde entra quem quiser no distrito industrial, inclusive gado.
As queixas dos empresários não se resumem à falta de manutenção das vias. “A infraestrutura, que entendemos desde as condições de acessibilidade, iluminação e segurança, precisa ser imediatamente recomposta. Estamos numa área pública que precisa ser constantemente cuidada, mas constatamos muitas invasões, depósitos de lixo e detritos”, comentou o presidente da Associação de Empresas do Centro Industrial de Aratu (Procia), Marcone Andraos Oliveira, que representa 34 empresas do CIA. Ele ressalta que o desenvolvimento industrial só é possível dentro de uma infraestrutura bem feita e que, por conta das condições atuais, tem-se perdido muito em competitividade.
Perigo no CIA - Trafegar ou andar pelo Centro Industrial de Aratu é também sinônimo de exposição ao perigo. Não sai do “consciente coletivo” o fato de a região ser palco de constantes assaltos ou mesmo de desova de cadáveres.
O gerente de manutenção da Transcarneiro Ltda., Felôneo Soares, 37, contou que não foram poucos os casos de assaltos de que ficou sabendo, como casos de saidinhas bancárias, assaltos e sequestros relâmpagos que vitimavam preferencialmente usuários da agência do Banco do Brasil do Centro Industrial. Quanto à transportadora em que trabalha, diz também que são muitos os gastos com trocas de molas e pneus dos veículos. “Há mais ou menos dois anos que não vejo nenhum tipo de tapa-buraco no CIA”, lamentou.
A Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic) informou que destinou cerca de R$ 13 milhões para a recuperação dos distritos industriais baianos. Pelo menos 11 distritos serão recuperados, com obras já iniciadas, segundo informações da superintendência, nos municípios de Ilhéus, Jequié, Itororó, Eunápolis e Santo Antônio de Jesus.
Boa vontade - Referindo-se ao CIA, Marcone Oliveira ressalta que, atualmente, há muitos sinais de boa vontade para realizar melhorias na região, mas se diz ressabiado por experiências passadas. “Já tivemos situações de ajuda iminente, mas nada se concretizou. Hoje, apesar da boa vontade, não temos nada de concreto”, destacou Oliveira, que é dirigente da Dow Brasil.
A assessoria de comunicação da Sudic informou que, no final do ano passado, a superintendência e o Derba firmaram um convênio para recuperar as vias internas do Polo Industrial de Camaçari e CIA. Informou ainda que as obras foram iniciadas em fevereiro, com previsão de conclusão em seis meses. O valor total para a recuperação das vias dos centros industriais é de aproximadamente R$ 10 milhões.
Entretanto os números com que a Procia trabalha para a recuperação da infraestrutura apenas do Centro de Aratu é de R$ 30 milhões. “Estamos trabalhando com uma estrutura de 35 anos atrás”, sentencia Oliveira.