“Somos os líderes e temos as melhores campanhas, defesa e ataque do estadual. Não estamos tão maus como as pessoas acham. Precisamos melhorar mais. E vamos!”. No bom portunhol, Viáfara tem razão nesta declaração. Realmente o Vitória goza de uma campanha invejável se comparado com os demais times da competição.
Mas será que realmente o Baiano pode ser parâmetro para a satisfação do torcedor? Se for feito um estudo minucioso deste rendimento no ano, as coisas não estão tão belas como parece. Este ano, a defesa é a que menos engana. O grupo defensivo formado por Viáfara, Wallace, Anderson Martins, Vanderson e Uelliton, apesar de baterem cabeça em algumas ocasiões, levou apenas 8 gols no Estadual.
O aproveitamento da cozinha é de 72%. Porém, antes do torcedor levantar e aplaudir a defesa, vale lembrar que, no mesmo número de jogos em 2009, a zaga composta pelas mesmas peças levaram apenas 4 tentos no Baianão. Sem contar que o aproveitamento de 2010 cai com os três gols sofridos pela Copa do Brasil, diante do Corinthians/AL.
O ataque é o setor mais preocupante. Apesar de ser o mais eficiente entre os representantes da competição, tem de longe o poder ofensivo da edição anterior do Baianão, que fez 32 gols, contra as atuais 23 bolas na rede. Sem contar que menos da metade, 10 no total, foram convertidos pelos atacantes de ofício.
A forma de como a bola está entrando na meta adversária também gera desconfiança. Contando com o jogo da Copa do Brasil, 7 gols foram de penalidades. Cerca 30% de todos os tentos do Vitória foram através da cobrança de pênalti, todos batidos e feitos pelo meia Ramon Menezes. Quatro foram de cabeça, após cruzamento na área. Com isto, sobraram apenas 12 bolas dentro da rede com uma jogada bem trabalhada entre meio-campo e ataque.
Com tantos problemas camuflados, será que o problema é da comissão técnica, que não consegue acertar o elenco? O técnico Ricardo Silva é responsável pelo entrosamento, mas não pode ser crucificado pelo planejamento de 2010. Nem todas as peças oferecidas como reforço estão rendendo.
Reforços limitados - Na temporada passada, do time considerado titular, seis faziam parte dos reforços. Este ano, a diretoria prometeu pelo menos cinco contratados para o Estadual. Já trouxe 10 e apenas 3 estão entre os titulares, assim mesmo sem o desempenho que o torcedor esperava.
Na lateral esquerda, Valmir mostra limitação e não deve permanecer entre os onze. O camisa 9 Schwenck ainda não mostrou o mesmo faro de gol de quando esteve no Figueirense e Adailton precisa de mais tempo para ser avaliado como titular absoluto.
Quem mostrou potencial, sofre com condicionamento físico e departamento médico. Na lateral direita, Marcos Pimentel pode assumir o setor, mas a restrição física preocupa, mesmo após quase 2 meses no clube. No lado oposto, Egídio ficou um mês parado com problemas no púbis de deixou a beirada carente. Com isso, Ricardo Silva foi obrigado a colocar Rafael Granja improvisado até a chegada de Valmir. Na zaga, o único contratado Vilson permanece entregue ao DM.
Pior são os reforços no meio-campo. O recém-contratado Renato confessou que só estará apto em 15 dias, enquanto Marcinho chegou e no dia que iria estrear pediu dispensa. Com tanto problema, chega a ser injusto acusar e apontar o dedo para Ricardo Silva. Segundo o diretor de futebol, Mauro Galvão, mais jogadores chegarão, mas resta saber a qualidade de cada um.